
O Dia Mundial da Epilepsia, também conhecido como Purple Day, é celebrado em 26 de março para conscientizar a população sobre essa condição neurológica que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo. Apesar de sua alta prevalência, a epilepsia ainda é cercada por mitos e estigmas, o que pode dificultar o diagnóstico, o tratamento e a inclusão social dos pacientes. Neste artigo, vamos abordar as principais informações sobre a epilepsia, incluindo suas causas, sintomas, tipos de crises, formas de tratamento e como lidar com um episódio convulsivo.
O que é a epilepsia?
A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada por descargas elétricas anormais e excessivas no cérebro, resultando em crises epilépticas recorrentes. Essas crises podem se manifestar de diferentes formas, desde breves ausências e movimentos involuntários até episódios mais graves, como convulsões generalizadas. Para ser diagnosticado com epilepsia, um indivíduo precisa ter pelo menos duas crises não provocadas, ou seja, sem uma causa imediata identificável, como febre alta ou traumatismo craniano. Embora a epilepsia possa surgir em qualquer idade, ela é mais comum em crianças e idosos. Em alguns casos, a doença pode estar relacionada a fatores genéticos, enquanto em outros, pode ser consequência de lesões cerebrais, infecções, acidentes vasculares cerebrais ou até mesmo tumores. No entanto, em cerca de 50% dos casos, a causa exata da epilepsia permanece desconhecida.
Tipos de crises epilépticas
As crises epilépticas podem se manifestar de diferentes formas e são classificadas principalmente com base na região do cérebro onde se originam e na maneira como afetam a consciência e os movimentos da pessoa. De modo geral, elas são divididas em dois grandes grupos: crises focais e crises generalizadas. Algumas crises podem evoluir de uma categoria para outra, começando de forma focal e se generalizando. Cada tipo de crise apresenta características específicas e pode variar de intensidade, duração e sintomas associados. Algumas pessoas podem ter apenas um tipo de crise, enquanto outras experimentam diferentes tipos ao longo da vida.
Crises focais
Também chamadas de crises parciais, as crises focais têm origem em uma região específica do cérebro e podem permanecer localizadas ou se espalhar para outras áreas. Elas são subdivididas em dois tipos principais:
- Crises focais sem comprometimento da consciência: Nesse tipo de crise, anteriormente chamada de crise parcial simples, a pessoa permanece consciente e pode relatar o que está sentindo durante o episódio. Os sintomas variam conforme a área do cérebro afetada, podendo incluir espasmos musculares involuntários em uma parte do corpo, sensações anormais como formigamento ou calor, alterações na visão ou na audição, além de déjà vu ou alucinações olfativas e gustativas.
- Crises focais com comprometimento da consciência: Também conhecidas como crises parciais complexas, essas crises envolvem alteração da consciência, fazendo com que a pessoa pareça desconectada da realidade por alguns segundos ou minutos. Durante esse período, ela pode apresentar comportamentos repetitivos, chamados automatismos, como mastigação, piscar excessivo, gestos automáticos com as mãos ou até mesmo caminhar sem rumo.
Crises generalizadas
As crises generalizadas envolvem ambos os hemisférios cerebrais desde o início, o que significa que os sintomas geralmente afetam todo o corpo. Elas podem ser divididas em diferentes subtipos, cada um com características próprias:
- Crises tônico-clônicas: São as crises mais conhecidas e dramáticas, caracterizadas por uma fase inicial de rigidez muscular (fase tônica), seguida por movimentos involuntários e rítmicos dos braços e pernas (fase clônica). Durante a crise, a pessoa perde a consciência, pode apresentar mordida na língua, salivação excessiva e, em alguns casos, perder o controle da bexiga ou do intestino.
- Crises de ausência: São mais comuns em crianças e podem ser confundidas com distração ou falta de atenção. Durante a crise, a pessoa apresenta um breve lapso de consciência, ficando com o olhar fixo e sem responder ao ambiente por alguns segundos. Em alguns casos, pode haver pequenos movimentos sutis, como piscadas ou tremores leves.
- Crises mioclônicas: Caracterizam-se por movimentos bruscos e involuntários semelhantes a espasmos musculares, geralmente afetando braços e pernas. Esses movimentos podem ser únicos ou ocorrer em sequência, e muitas vezes ocorrem logo após o despertar.
- Crises atônicas: Também conhecidas como crises de queda, essas crises causam uma perda súbita do tônus muscular, levando a pessoa a desabar repentinamente. Como a perda de força acontece sem aviso, há um alto risco de lesões, sendo recomendável o uso de capacetes de proteção para quem tem crises frequentes desse tipo.
- Crises tônicas: Diferente das crises tônico-clônicas, as crises tônicas envolvem apenas a rigidez muscular sem a fase de movimentos repetitivos. A pessoa pode cair devido à contração intensa dos músculos, mas sem os espasmos subsequentes. Essas crises costumam ocorrer durante o sono e podem afetar braços, pernas ou todo o corpo.
- Crises clônicas: São menos comuns e envolvem apenas a fase de espasmos musculares rítmicos, sem a rigidez inicial. Durante a crise, a pessoa pode apresentar contrações repetitivas nos membros, sem necessariamente perder a consciência.
Diagnóstico e tratamento da epilepsia
O diagnóstico da epilepsia é baseado na análise clínica das crises, no histórico médico do paciente e em exames complementares, como eletroencefalograma (EEG), ressonância magnética e tomografia computadorizada. O EEG é especialmente útil para detectar padrões anormais de atividade elétrica no cérebro, enquanto exames de imagem ajudam a identificar possíveis lesões ou alterações estruturais que possam estar associadas à doença. O tratamento da epilepsia tem como principal objetivo controlar as crises e melhorar a qualidade de vida do paciente. Para isso, são utilizados medicamentos antiepilépticos, que ajudam a estabilizar a atividade elétrica cerebral. Em muitos casos, o uso regular da medicação permite que a pessoa fique livre de crises ou reduza significativamente sua frequência. No entanto, cerca de 30% dos pacientes apresentam epilepsia resistente ao tratamento medicamentoso, sendo necessário recorrer a outras abordagens, como cirurgia, estimulação do nervo vago ou dietas específicas, como a dieta cetogênica.
Epilepsia e qualidade de vida
A epilepsia pode impactar diversos aspectos da vida de um indivíduo, incluindo sua saúde mental, sua capacidade de trabalhar e sua interação social. O medo das crises, combinado com o preconceito e a falta de informação da sociedade, pode levar muitos pacientes a desenvolverem ansiedade e depressão. Além disso, algumas pessoas enfrentam dificuldades no ambiente escolar ou profissional, especialmente quando as crises não estão bem controladas. A adaptação do estilo de vida pode ajudar a reduzir os riscos de crises e melhorar o bem-estar geral. Manter uma rotina de sono adequada, evitar o consumo excessivo de álcool, controlar o estresse e seguir corretamente o tratamento são medidas fundamentais para o manejo da epilepsia.
Primeiros socorros em uma crise epiléptica
Saber como agir durante uma crise epiléptica é essencial para garantir a segurança da pessoa e evitar complicações. Muitas vezes, o desconhecimento sobre o que fazer pode levar a ações inadequadas, como tentar conter os movimentos da pessoa ou colocar objetos em sua boca. Aqui estão as principais orientações para lidar com uma crise:
- Mantenha a calma e observe a duração da crise. Se a convulsão durar mais de cinco minutos ou a pessoa não recuperar a consciência entre os episódios, chame imediatamente o serviço de emergência.
- Afaste objetos perigosos ao redor da pessoa para evitar ferimentos.
- Coloque a pessoa deitada de lado para facilitar a respiração e evitar que ela engasgue com saliva ou vômito.
- Não tente segurar a pessoa ou impedir seus movimentos.
- Não coloque nada na boca da pessoa, pois isso pode causar sufocamento ou lesões nos dentes.
- Após a crise, ofereça apoio e tranquilize a pessoa, pois ela pode estar confusa ou desorientada.
A epilepsia é uma condição neurológica que pode ter um grande impacto na vida dos pacientes, mas com o tratamento adequado e o suporte da sociedade, é possível viver de forma plena e produtiva. No Dia Mundial da Epilepsia, é fundamental reforçar a importância da informação e da empatia, garantindo que mitos sejam desmistificados e que pessoas com epilepsia sejam respeitadas e incluídas em todos os aspectos da vida. Ao ampliar o conhecimento sobre essa doença, contribuímos para um mundo mais acessível e solidário para todos.
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Fontes: